O processo de licenciamento energético é hoje um dos principais entraves para novos investimentos em grandes data centers no Brasil, especialmente aqueles voltados à inteligência artificial. A avaliação é de Renan Lima Alves, presidente da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) e CEO da Boost Engenharia.
Atualmente, o setor enfrenta prazos de nove a 14 meses para obter pareceres de acesso à rede elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). Essa demora compromete a viabilidade de empreendimentos que exigem decisões rápidas e alta disponibilidade energética.
Para data centers com demanda superior a 100 MW, o processo envolve o Ministério de Minas e Energia (MME), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Aneel, em um trâmite considerado moroso e pouco previsível. A expectativa é de que novas regras, a serem publicadas em breve, invertam a ordem de análise: o ONS avaliaria primeiro a viabilidade elétrica do local, permitindo ao investidor ter resposta em até 120 dias.
Entre as mudanças já implementadas está a exigência de garantia bancária para emissão do parecer de acesso, medida que busca evitar a especulação imobiliária e garantir espaço na fila para empreendedores efetivamente comprometidos com os projetos.
O tema ganha urgência diante da corrida global por infraestrutura de IA, que demanda alta densidade energética e prazos curtos de implantação. Sem previsibilidade no licenciamento, investimentos bilionários podem migrar para países mais ágeis.
A ABDC defende a construção de um ambiente regulatório mais transparente, célere e seguro, capaz de sustentar a expansão da infraestrutura crítica no Brasil e consolidar o país como destino estratégico para data centers de grande porte.
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